No linguajar pantaneiro ouvimos falar: “Fulano foi pará rodeio”. “Sicrano foi dá rodeio no gado da Seleção” . “Amanhã vamo dá rodeio lá na Mangavinha”.
O rodeio está ligado à vida do vaqueiro do Pantanal e faz parte de uma etapa do trabalho de gado que é realizado anualmente. É no rodeio que o vaqueiro, com seu olho esperto, observa o gado alheio e marca na orelha dos bezerros o sinal do seu dono, cura as bicheiras, laça o “touro orelha” a fim de lhe dar a primeira lição, faz o necessário manejo para amansar o gado e trazê-lo sempre ao cocho com sal, o rodeio que se presa tem que ser ao lado de um cocho, debaixo de uma árvore copada, bem no meio de um largo.
O rodeio é feito em campo-fora, antes de levar o gado para a sede da fazenda e trabalhá-lo no curral. No passado, a “vaqueirada” acordava de madrugada, escuro ainda, e ía encontrar as reses na “malhada”, no amanhecer, o que facilitava o serviço. A repetição dessa prática transformou os locais de malhadas em rodeios, que logo recebiam os nomes de algo que se destacasse ou chamasse a atenção do pessoal da fazenda. Por exemplo: se perto da malhada havia uma figueira, batizava-se o local de “rodeio da figueira”, e assim muitos rodeios ficaram conhecidos pelos nomes sugestivos que os identificavam, tais como: rodeio do pau-arcado, rodeio da peúva, rodeio da capivara, etc...
Depois que os fazendeiros se conscientizaram da necessidade de suprir com sal a alimentação bovina, em cada malhada colocaram um cocho e a vaqueirada começou a dispensar as madrugadas. Não mais era necessário acordar com o cantar do galo, porque a própria presença dos vaqueiros passou a ser um aviso aos animais de que nos cochos havia sal. E o gado foi amansando e obedecendo ao som da “buzina”. Bastava um toque, os lotes apareciam, saíam dos capões e vinham correndo lamber o sal.
Os rodeios tendem a desaparecer, perderam suas características tradicionais, conseqüências do progresso e de novos métodos de trabalho.
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