O pantanal da Nhecolândia é um dos maiores da área considerada. A imensa maioria de seu território está situada dentro do município de Corumbá, ficando apenas uma pequena parcela a leste sob a jurisdição de Rio Verde de Mato Grosso.
Segundo dados da Empresa Brasileira de Planejamento de Transportes (1974), sua área é de 23.574km². Seus limites são: ao norte, o pantanal do Paiaguás, sendo o rio Taquari o ponto de referência para a separação; ao sul, os pantanais de Abobral e Aquidauana, aparecendo o rio Negro como importante marco divisório; a leste, o planalto central, atingindo-se o mesmo através da serra da Alegria e desembocando-se na rodovia BR-163, de onde se atinge quase eqüidistantemente as cidades de Coxim e Rio Verde de Mato Grosso; a oeste, o rio Paraguai.
A vista aérea deste pantanal mostra uma fisionomia bastante típica, caracterizada por apresentar baías, salinas, campos limpos, bosques e savanas. Uma fisionomia comum é a presença de bosques, com as espécies lenhosas apresentando ao seu redor pastagens naturais e, imediatamente vizinhas, as baías e as salinas. Essas massas hídricas atuam como bebedouros para o gado.
Durante a fase mais crítica da estação seca (agosto e setembro), algumas destas baías secam ou diminuem consideravelmente de volume.
As baías apresentam vegetação ao seu redor e em seu interior. Perifericamente, tem-se a pastagem natural, sobressaindo-se com destaque acentuado, pela freqüência, o capim-mimoso (Axonopus pirpusii) e o capim-mimosinho (Reinarochloa brasiliensis).
A vegetação no interior das baías exibe samambaias pequenas (Azolla sp., Marsilea polycarpa), chapéu-de-couro (Echinodorus paniculatus), erva-lanceta (Sargitaria montevidensis), camalote (Pontederia cordata), aguapé (Eichhormia crassipes).
Concentrações da palmeira carandá (Copernicia Alba) surgem com certa freqüência neste pantanal. Nos solos arenosos da Nhecolândia destacam-se também as palmeiras de nome acuri (Attalea phalerata), bocaiúva (Acrocomia totai) e tucum (Bactris glaucescens).
Volumes apreciáveis de água depositam-se em baixadas, ao longo das rotas que conduzem ao interior da Nhecolândia. Os corixos apresentam em alta freqüência dois tipos de aguapé, Richhornia spp e Pontederia cordata. Estas espécies ornamentam sobremaneira os cursos d'água da região, com suas grandes e belas flores de tons brancos, azul, rosa e roxo.
Os outros tipos de massas hídricas encontradas na Nhecolândia, e também em outros pantanais, são as vazantes e corixos.
Outra paisagem deste pantanal são os barreiros. Constituem depressões do terreno, tendo em torno de 100-200m² de área.
O solo ali é barrento e o gado o lambe, presumivelmente em busca de sais minerais.
O rio mais importante desta zona é o Taquari, que serve como marco divisório entre a Nhecolândia e o Paiaguás, podendo-se ver ao longo do mesmo matas-galeria.
A vegetação da Nhecolândia mostra freqüentemente savanas, em alternância com massas hídricas do tipo baías e salinas. Algumas associações vegetais destacam-se na Nhecolândia por sua contínua presença na paisagem. As principais são o canjiqueiral, o gravatal e o caronal.
Os solos do pantanal da Nhecolândia são essencialmente arenosos, apresentando textura geralmente tão fina que lembra aquela ocorrente no litoral. Eventualmente, pode-se encontrar manchas de solo siltoso ou argiloso.
As savanas e campos da Nhecolândia assentam-se fundamentalmente sobre uma camada aflorante de areia muito fina.
A riqueza forrageira das savanas e campos da Nhecolândia recai principalmente em duas espécies de gramíneas, o capim-mimoso (Axonopus purpusii) e o capim-mimosinho (Reimarochloa brasiliensis). FONTE: Recursos Forrageiros nativos do Pantanal mato-grossense, por Antonio Costa Allem e José Francisco Montenegro Valls. Brasília, 1987. (EMBRAPA-CENARGEN. Documentos, 8)
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